by | Mar 21, 2025

Quem são os idosos a viver nos Lares em Portugal?

A equipa ALICE4u teve alguns meses de intenso trabalho de campo:o estudo que apresentamos, caracteriza tão bem quanto possível a população idosa a viver em Lar em Portugal

➡️ Antes de avançar para o desenvolvimento do ALICE4u, a nossa equipa teve alguns meses de intenso trabalho de campo.

O objectivo era conseguir caracterizar tão bem quanto possível a população idosa e, assim, poder adaptar o ALICE4u às suas necessidades reais mais prementes. 📣

O primeiro grupo estudado foram os residentes em Estruturas Residenciais Para Idosos (ERPI). Por uma questão logística, o estudo foi realizado no Alentejo Central, onde se aplicaram instrumentos de avaliação como o Mini Mental State, o WHOQOL – Bref e a Escala de Katz. Foram entrevistados 868 idosos, residentes em 38 instituições. 

Principais dados do estudo

Os resultados obtidos permitiram perceber que:

1.Idade Avançada

A idade média dos idosos institucionalizados é de 85 anos.

 

2.Baixo nível de escolaridade

A taxa de analfabetismo ronda os 37.6% e apenas 1.2% dos residentes frequentou o ensino superior.

 

3.Obesidade e excesso de peso

Cerca de 24% dos idosos a residir em ERPI são obesos, mas mais de 61% apresenta excesso de peso.

 

4.Doenças crónicas

A hipertensão é a principal doença crónica com uma prevalência de 89.3%.

 

5.Deterioração cognitiva e dependência

61% dos residentes apresenta deterioração cognitiva.

5.9% dos residentes são totalmente autónomos na realização das suas Actividades de Vida Diárias.

65.2% apresenta um nível de dependência entre moderado e grave.

 

6. Problemas de comunicação

Menos de 10% dos idosos são totalmente independentes a nível de comunicação.

 

7. Saúde Mental

Mais de 50% dos idosos apresenta sintomatologia depressiva que pode ir de leve a severa.

 

O que estes dados nos dizem?

Estes resultados, em linha com os encontrados em estudos semelhantes, permitem-nos perceber que a população residente em ERPI se encontra bastante envelhecida e fragilizada, necessitando a esmagadora maioria dos idosos de apoio, pelo menos moderado, para a realização das suas actividades do dia-a-dia.

É também possível concluir que a deterioração cognitiva é, cada vez mais, uma questão central e que deve ser tida em conta quando se planeiam cuidados e intervenções para esta população.